Família Espiritual e Família Corporal

A instituição familiar é o núcleo mais importante para o exercício de nossas qualidades e aprimoramento espiritual. Porém, uma imensa parcela de encarnados não se dá conta dessa divina oportunidade. Muitos não entendem porque dentro de um mesmo berço familiar possuímos parentes que proporcionam diferentes sentimentos: amor, raiva, carinho, amizade, rancor e etc. São diversos os sentimentos que sentimos e fazemos sentir. São pais que amam mais aquele filho do que o outro. Irmãos que se dão mal, ou que se dão super bem. Amigos que são mais irmãos que os nossos irmãos genéticos.

Devemos recorrer a dádiva da reencarnação para encontrarmos as origens desses sentimentos inatos, dessa atração ou repulsão gratuita que parecemos carregar. Se utilizarmos a arma do raciocínio e da sinceridade, logo chegaremos a conclusão de que existem dois tipos de famílias: a corporal, que compartilha os laços de sangue, mas não obrigatoriamente os laços do coração, e a família espiritual, onde sua principal característica é a comunhão de idéias e compartilhamento recíproco de bons sentimentos. Devemos compreender a lei de reencarnação para que tudo seja esclarecido sem complicações, sem névoas.

Encontramos reunidos no mesmo lar espíritos simpáticos, ligados intimamente por vidas passadas e por sentimentos de afeição que trazem consigo,  e também encontramos espíritos antipáticos, afastados também por desentendimentos e erros de vidas anteriores. A reencarnação possibilita tais situações, e muitas vezes, dois indivíduos nascidos de pais diferentes conseguem ser mais irmãos do que se fossem pelo sangue. Seguindo essa mesma linha de pensamento, entendemos porque muitas vezes encontramos em nossos lares tantas dificuldades de convívio e de relacionamento.

Não vejamos isso tudo como castigo. Vejamos o convívio com afetos e desafetos do passado como abençoada oportunidade de aperfeiçoamento. Enquanto a convivência com os desafetos nos oferece a possibilidade de exercitar o amor, perdão, resignação, paciência e etc, os espíritos simpáticos nos auxiliam em tais tarefas e são sustentáculos nos momentos difíceis e escuros da vida. Só com a reencarnação conseguiremos um dia chegarmos ao sentimentos que o mestre rabino nos pediu: Amar nossos inimigos.

A  partir desse estudo passemos a entender as situações, e renovemos nossa compreensão para encararmos de maneira renovada nossa relação familiar. Trabalhemos a cada dia para auxiliar e amarmos nossos parentes difíceis, para que possamos alcançar novos degraus na escalada evolutiva do espírito imortal.


C. Russo